A BELEZA AFRO-BRASILEIRA RETRATADA NAS FOTOS DE “EVA NEGRA” NUA

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A BELEZA AFRO-BRASILEIRA RETRATADA NAS FOTOS DE “EVA NEGRA” NUA

A tradicional narrativa bíblica de Adão e Eva é retratada de forma inusitada na exposição “Beleza Afro-Brasileira”.
O fotógrafo italiano Giancarlo Mecarelli, 66, fez a produção de uma Eva negra envolta por uma cobra, que se junta a outras 29 fotos de mulheres afrodescendentes nuas. “Sempre tive essa ideia de realizar uma imagem para quebrar com o ícone da Eva europeia, quase que alemã. Quem disse que ela era branca?”, diz Mecarelli.
A artista plástica paulistana Renata Felinto, 34, foi a escolhida para encarnar a figura feminina mítica. “No começo, fiquei na dúvida porque existem trabalhos de nu péssimos, de mau gosto. Mas quando vi o trabalho do Mecarelli, gostei da iluminação, dos efeitos. Achei sério”, afirma a moradora de Taboão da Serra (Grande São Paulo).


Além de resgatar a beleza da mulher negra de uma forma simples, o fotógrafo teve a intenção de prestar homenagem a Jorge Amado: cada foto da exposição é acompanhada por um trecho da obra do autor baiano, todos selecionados pelo escritor Ovídio Poli Júnior. “Foi um trabalho muito agradável. Vendo algumas das imagens já me vinha logo a associação com determinada história. O objetivo é mostrar a proximidade que há entre o universo feminino contido na obra de Jorge e a beleza das mulheres negras.”


A união com a literatura é outro motivo pelo qual Renata se interessou. “Embora já tenha feito um book, não quis ser modelo porque eu achava meio vazio. Como ele estava fazendo um cruzamento entre as fotos de mulheres negras e a obra de Jorge achei que tinha sentido participar. Foge do padrão de beleza tradicional”, ressalta.
Segundo Mecarelli, o trabalho começou em Paraty (Rio de Janeiro) e foi apresentado pela primeira vez em sua galeria Zoom, em 2006, paralelamente à Flip (Feira Internacional de Literatura de Paraty).


“Comecei clicando moças que trabalhavam na padaria, outra como garçonete, outra em casa de família… Mulheres de um cotidiano essencialmente simples, mas que, com a exposição, passam ao status de ‘Deusas'”, diz o europeu que se mudou para a cidade histórica em 2005. “O importante é não ser vulgar e a beleza acaba ficando na simplicidade”, completa o criador do Paraty em Foco – Festival Internacional de Fotografia.

Nacib perguntava-se ansioso: afinal que sentia por Gabriela, não era uma simples cozinheira, mulata bonita, cor de canela, com quem deitava por desfastio? Ou não era tão simples assim? Não se animava a procurar a resposta. [Jorge Amado – Gabriela, cravo e canela]

Nas dunas de Mangue Seco, Tieta, pastora de cabras, conheceu o gosto do homem, mistura de mar e suor, de areia e vento. [Tieta do agreste – Jorge Amado]

Era bom dormir nos braços de um homem, sentir o estremecimento do corpo, a boca a morder, num suspiro morrer. Que seu Nacib se zangasse, ficasse com raiva, sendo casado, isso entendia. Havia uma lei, não era permitido. Só o homem tinha direito, a mulher não tinha. Ela sabia, mas como resistir? Tinha vontade, na hora fazia, nem se lembrava que não era permitido. [Jorge Amado – Gabriela, cravo e canela]

Fagulhas se espalham nos bicos dos seios, nos lábios arfantes, nas orelhas mordidas, ao longo das coxas, no vale do ventre, no rego da bunda. Abrem-se as pernas de Tereza, as coxas da menina enfim mulher, é ela quem se desata, se oferece, se entrega, ninguém lhe dá ordens e não tem medo ­— pela primeira vez. [Jorge Amado – Tereza Batista cansada de guerra]

Tua boca de sal, teu peito de quilha, em teu mastro vela enfunada, na coberta das ondas nasci outra vez, virgem marinha, noiva e viúva de saveirista, grinalda e espumas, véu de saudade, ai, meu amor marinheiro. [Jorge Amado – Tereza Batista cansada de guerra]

Seu calor o queimava, fogueira ardente, chama impossível de apagar, fogo sem cinza, incêndio de suspiros e ais. A pele de Gabriela queimava sua pele. Aquela sua mulher, ele não a tinha apenas na cama. Estava para sempre cravada em seu peito […]. Pensava que seria doce morte morrer em seus braços. [Jorge Amado – Gabriela, cravo e canela]

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